LEITURAS
Acabei há
momentos de ler o livro de poemas intitulado SEM VÓS, da autoria do meu
distinto confrade das letras EDUARDO ROSEIRA, poeta, animador cultural e alma da
trupe Palavras Vivas.
É um
homem do Norte, vive em Gaia e já nos conhecemos há muitos anos. Curioso é que
vivemos ambos em Moçambique, mas ali nunca nos cruzámos; ele regressou em 1974
e eu no ano seguinte.
SEM VÓS
é um livro de poemas constituídos através dum longo rosário de memórias, saudades,
afectos e contrariedades, numa travessia lírica formalmente autobiográfica,
porque o poeta quis ser uma presença que partilha a sua solidão.
É vulgar dizer-se que os poetas, quando escrevem,
é a si mesmos que escrevem. Aceitando-se este adágio, digamos assim, poderíamos
acrescentar que uns escrevem preocupados com o brilho do mármore e o polimento
do bronze, enquanto outros é nos haustos da vida que atentam, escrevem para se
erguer a si mesmos, pedra a pedra, cicatriz a cicatriz. Eduardo Roseira é desta
segunda linhagem, a dos que fazem da palavra um lugar de reencontro com o que
foi vivido, perdido, ultrapassado, amado, sofrido e, sobretudo, reconhecido.
SEN VÓS
é um título que encerra alguma ambiguidade, o que nos exige declarar que não se
trata dum livro de ausências, mas de presença entre os mais, evocação de memórias,
presença da solidão tornada de companhia, a presença do poeta, afinal, dado por
inteiro ao leitor.
A
saudade invocada amiúde, não cabe entender-se como lamento, mas como ferramenta
de leitura do mundo. Afinal, o próprio autor afirma que todas as saudades são
boas, mesmo as que doem.
Olhemos
os seus três apelidos como símbolo e destino – Oliveira de Lima Roseira – que
parecem marcar indelevelmente a construção dos poemas deste livro, como se cada
parte do seu nome guardasse uma parte da sua história.
V. Novas – 13 ABR 2026
ABDUL CADRE

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